Aspectos éticos da fluoretação da água em tempos de pseudociência e redes sociais digitais
Palavras-chave:
Cárie dentária, Fluoretação, Bioética, Política de saúdeResumo
Fluoretação da água é uma tecnologia para prevenir cárie dentária, ainda um importante problema de saúde pública. Seu emprego teve início em 1945, nos Estados Unidos da América (EUA). Porém, mudanças decorrentes da eleição de Donald Trump à presidência (2024) levaram esse país a interromper sua implementação. Em 1985, a cidade de São Paulo começou a fluoretar as águas. Quarenta anos depois, a medida se mostra efetiva. Neste ensaio-crítico, são analisadas objeções éticas, ou supostamente éticas, ao uso dessa tecnologia, discutindo-se, à luz da bioética, a decisão dos EUA, os resultados de 40 anos de fluoretação em São Paulo e a possível influência da decisão estadunidense sobre a descontinuidade e as consequências da fluoretação, no Brasil e em outros países. Algumas objeções que se apresentam como éticas não o são, pois se baseiam apenas em desconhecimento científico. A maioria das objeções efetivamente éticas fundamenta-se no principialismo, reconhecidamente limitado na análise de problemas derivados de intervenções de saúde pública. Da análise, emerge um único questionamento: o da admissibilidade ética de renunciar ao uso de uma tecnologia comprovadamente eficaz, eficiente, efetiva e segura para a saúde humana, sem qualquer justificativa em evidência científica.
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